30 de ago de 2013

Grata desilusão

Lancei ao infinito meu desejo
E ele foi deitar onde o horizonte se expande.
Todo dia na praia te olho,
como se ao te admirar
te fizesse voltar.

Em uns dias meus olhos te trazem,
Em outros as ondas te levam.
Em uns dias danço, canto e te aceno:
suplicando que venha, te dizendo que espero.
Em outros choro tanto sua falta
que vejo as lágrimas que brotam de mim
correrem ao mar.

Nesses dias de nuvem, chuva e ressaca,
as ondas aumentam também em meus olhos
e te afastam ainda mais de mim.

Que dias tristes, que saudade eterna
De nem querer te ter.
Mas te quero e por mais que negue
Um raio de luz sempre vem
limpar as nuvens
secar meus olhos,
te avistar de novo.

Então mais um dia
canto e danço a esperança de te alcançar.
E tudo volta.
Tudo novo e tudo igual:
O desejo lá onde o horizonte se expande
E eu sempre aqui, onde a areia me assenta.

E se eu levantasse, te encontraria enfim?

Pois que me levanto!
Me atiro às ondas
Me lanço a ti
E nado, nado, nado
e nada!

A cada braçada,
mais longe o horizonte...

Continuo...
e nado
busco...

Paro!

Te desisto, desejo!
Te abro mão.

Não nado mais pra frente,
nem volto mais atrás.

Fico aqui
imersa
imensa
inteira.

Nesta vastidão de água
Neste infinito azul (verde, amarelo, incolor)
E aos poucos afundo,
ao fundo
ao fim.

Ao real.

Ao todo deste instante em mim.

Vou além do desejo,
encontro a desilusão.
Me sinto pronta pro amor.