10 de abr de 2012

Fogo de otimismo
pela destruição do meu cenário.
Meus outros brilham
E eu, mesmo em cativeiro,
vou alcançando um dos cumes
 do vale das minhas buscas.
A concretização dos meus ensaios.

 Eles vieram prontos,
eu vim mastigada.
Mas me entrego aos reparos.
Exageradamente,
me quero transformada.

Fustigo com a última força meu veneno.
Me excedo e sou picada por mim mesma.

E é derrubada que percebo
que das portas estou por trás
porém as chaves
eu tenho as todas.

24 de mar de 2012

Quantos tons de rosa tem um eu te amo? Uns mais opacos, outros brilhantes. Como diferencia-los, se todos são feitos das mesmas palavras?
Bom quando todos se vão, e por querer te deixam a sós. Consigo, com seus olhos, seu corpo. Seu ser completo. A olhar tempo, sem tempo, sem medo. Sozinho a amar o doce movimento do vento. Ou o outro que a outra ama. Escolhendo os quadros, com todo cuidado fotográfico com o domínio da própria pupila. Agradecendo a Deus, cada vírgula da existência, mas querendo também algo que sempre falta, nem que seja a palavra exata desse poema.
Brilhos, cintilantes.
Detalhe no canto dos olhos.
Altos saltos, belas peças.
Pendura mais um ferro na orelha.
Pigmenta a cútis com desejos.

Vira num gole uma taça de conhaque.
Dança com ele até embaixo.
Sobe como outra em desencargo.

Som da caixa estalando.
Trompetes.
Sirenes.
É tudo agudo.
Aguça.
Nada de recusa.

Mergulha no barro,
Vira lama,
Germina flores.
Se traduz em Terra.

Desfaz.
Refaz.
Disfarça.
Sou substituta de mim mesma,
Às vezes e
por vezes.
Revezo egos aleatórios.

É capital.
O fútil nos desarma.
Nos rebaixa.
Nos amarra a redes estéticas avançadas.

E é tudo oferenda.

Ofereço à Lucrecia,
às bacantes,
à Ogum.

Espirro de tinta borrada na camisa mal usada.
Gargalhada louca depois do fim do jogo.
Dados deuses isso cobiçam.

Agradecem.
E nos emprestam
genuína sabedoria apolínea.

Aos intelectuais

E eis que retorno de longo e pessoal exílio. E firme piso na areia de tão aclamado coqueiro. Onde um dia brilhei enfante, para em segundos me fechar em dogmas. Tentando me enquadrar naquilo que inversamente já vim moldada.