17 de dez de 2008

Ouvi a árvore me chamar.
Fui até lá.
Correndo contra buzinas e rodas engessadas.

Estou à margem.

Passos largos,
a árvore é chama.

Ondas radiofônicas
É leão do norte.
É passagem estética.

E nisso, chuva fina dá graça ao lá fora.

Li João Paulo.
É preciso santos que bebam coca-cola.

(Os ideais dificultam o dia).

Desce a negra do morro,
trás notícias sem dados lá do alto.

Registros da rua, catados no ar.

A polícia aterroriza.

E tem jaca no meio da estrada
- quem se importa

A jaca pedindo final digno
- quem a vê?

Comida gratuita...
(A história esqueceu essa possibilidade).

A moça pára o carro,
desce sorrindo,
leva a jaca pra casa.

Estou de fora
Garimpo miragens...
A cidade me serve.

15 de dez de 2008

Papo modesto

Não estou para desabafos impensados,
floreados de interjeições teatrais.
Nem vim aqui contemporizar opinião,
deixando no meu pensamento
reticências às preferências alheias

Desejo o verso simples, assertivo.
Eloquência de um ponto final.
Verdade que descansa quem o disse,
e só assim o abre a ser ouvinte.

19 de nov de 2008

Grande parte do caminho segue entoando mantras. Lhe alivia estar em movimento e nenhum músculo mexer. A meditação se faz mais fácil. A cidade vai passando, algumas incógnitas se desatando... Se sente na multidão, sem dela se embasbacar, nem ansiar para o seu porquê explicar. Apenas está lá.

E eis que de surpresa pega o caminho do mar e já não precisa rezar...

A onda bate.
Do verde escuro e da espuma branca - uma entidade verde,
Virgem lapidada.
Costas de onda curvas se entregando ao mar - jóias humildes.
Carícia no olhar.

Ao fundo, vindo do céu, um detalhe, em frações, se entrega às águas.
Poesia da caça...
Brilhantes se destacam na pele crua da onda que se alonga para em instantes quebrar.

Por favor, caminho, não quero parar...

Da janela vem um vento cheirando a ressaca.
Ele já não precisa rezar.
Mergulhou no silêncio entoado do mar,
ritimado pelas rodas do pneu a girar.

7 de nov de 2008

Minhas armas de Jorge de lado deixei.
Julguei justo por um instante lavar
meus pés, as mãos, os pensamentos.

Me vi de repente o próprio inimigo
usando as armas que me destes
para te atacar
e não mais para nos defender.

6 de nov de 2008

Me agrada caminhar de cabeça baixa
para num estalo do vento
levantá-la
e me deparar com um balé de folhas desgarradas.

30 de set de 2008

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond

27 de set de 2008

Professor: O que não vale a pena?
Ernesto: Ir à escola. (pausa). Não serve para nada. (pausa). Na escola, as crianças são abandonadas. A mãe põe os filhos na escola para que eles aprendam que estão abandonados. Assim ela se livra deles para o resto da vida. Silêncio. (...)


Professor: Então como é que se aprende?
Ernesto: Quando se quer aprender.
Professor: E quando não se quer aprender?
Ernesto: Quando não se quer aprender, não vale a pena aprender. Silêncio.

(Chuva de Verão - Marguerite Duras)

10 de set de 2008

Por uma estética dos prazeres compartilhados

Sei dançar,
E quero um homem manso que saiba certo me olhar.
Num jeito que só olhos pingados da tranqüilidade de Deus podem fitar.

Você é puro.
Meu desejo, um broto.

Na testa, a febre.
No olhar, a prece.

A mão luva de lua larva.
A boca já não fala...

A música é nossa porta.
O céu, a nossa escola.

1 de set de 2008

(Notificação de suspensão de dois dias - 25/08/1993)

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
(Cecília Meireles)
OBS: NÃO DEIXE A ESCOLA ATRAPALHAR A SUA EDUCAÇÃO!

14 de ago de 2008

Outro poema antigo, esse feito para aula do João Moreira Salles em 2004. É sobre um filme/ Globo Repórter chamado Retrato de Classe. Era vésperas de me formar e eu estava cheia de perguntas na cabeça e muita vontade explodindo no peito...

Um Retrato Retocado

Falaram-me que o tempo passa
- invisível.
Vi que as pessoas se matam
- e continuam vivas.
Ouvi que os casamentos afogam
- e matam de sede.
E que os pais amarram os filhos
para que não voem.

Chorei por que tive medo
Por que tive certeza
Que é isso que querem que eu faça.
Sorri por que me lembrei que não!
Não é isso que eu quero que eu faça.

Não quero boiar
como a sementinha jogada no rio.
Nem me acabar na terra rachada e seca.
Quero brotar.

Disso um Retrato de Classe me fez lembrar...

Mas o meu retrato ainda quer ser diferente deste.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo quer ser livre,
Não contrato.
Na forma quer ser poesia,
ponto de vista,
papel assinado embaixo.
Não discurso escondido,
sem nome,
absoluto - como um documento.

Mas minha vida de classe também quer ser igual ao Retrato.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo também quer ser humano, demasiadamente humano.
Na forma, revolucionário, rompante
- como uma arte.

12 de ago de 2008

Regras da vida

Burocrática vida,
estaticamente tediante,
caverna numérica
labirinto sem saída.

Ligações virtualmente reais
não dão sinais,
não enviam postais

de vida,
de instâncias pessoais.

Os vasos estão entupidos.
As veias fracas de sangue!

Vidas floridas,
por favor, floresçam!

Já basta
de vidas secas,
enfurnadas mentes,
minhocas caminhando na pele,
falta de ar.

Falta que me faz traçar caminhos nas estrelas.

Jogar fora esses ponteiros, e
saber a hora pelo sol.

Quero deitar a cabeça
no ombro, na pele, barriga.
Quero tirar a bunda da cadeira
e as regras do papel!

E enfiá-las como anel de matrimônio
No dedo da consciência,
na legislação do querer.

Por uma vida em família
dias bem-vindos vividos,
amor de graça doado e
canção por todos tocada.



Rio de Janeiro, Janeiro de 2001

11 de ago de 2008

Poema de um livrinho antigo meu: poema de 2001. Lá se vão os anos, aqui se volta a rota, eterno e maravilhoso retorno, sempre igual, sempre outro.


Não sei

Hoje não sei
reconhecer vontade
evitar desvontade.
Hoje pego o que me dão,
ouço qualquer canção.

Tudo vem sem desconcerto,
sem acerto.
E você com esses olhos de inverno
gelados atrás do vidro externo,
me deixa sem saber se
abro ou travo
essa janela que bate
me oferecendo aconchego
me suplicando um abraço.

27 de jul de 2008

Arte de Amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


(Manuel Bandeira)

11 de jul de 2008

Morrer e nascer todos os dias. Ser verme e estrela, sem forçar a subida. Apenas olhar. Apenas amar a luz e a treva Assim nos fazemos. Só assim confiamos. Não existem linhas retas na natureza.

2 de jun de 2008

Inspirador e direcionador dessa coisa louca que é escrever...
Um poema de Alberto Caiero...
Acordei hoje, peguei pra ler e sabia que ia encontrar uma resposta, pra uma pergunta que nem sei muito bem qual é, mas que me persegue sempre.

XLVI

Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha,
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal ou com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.

Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar de um corredor
Do pensamento para as palavras
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caiero,
Mas um aninal humano que a Natureza produziu.

E assim escrevo, querendo sentir a natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a natureza e mais nada.
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer, ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

Ainda assim, sou alguém.
Sou o descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Unisverso
Porque trago ao Universo ele-próprio.

Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.




Alberto Caieiro ou Fernando Pessoa

28 de mai de 2008

Suave, suave
Delicadeza.

Muito esforço?
larga.
Muito pensar?
tenta mudar.

Se julgas de ti não gostarem,
por que não pensar
que o sentimento é mútuo?

Facilita,
desliga
desilude
liberta

pra fluir

e ficar com aquilo que acalma.

Nunca o que maltrata

8 de mai de 2008

("Mas já!?")

...não disse...

Preferiu tecer comentário fútil sobre seus cabelos.

E do momento retirou só e tanto
alguns beijos no rosto,
um pouco do seu peso
e uma mão leve sobre a lateral da sua perna.

(Ah, em poucos dedos caberiam outros momentos sinceros como esse!)

Deitada no puff
Ficou muda
querendo que ele voltasse,
que o tempo parasse.

(E se gritasse?

Mas talvez a ansiedade se instalasse
e a beleza evaporasse...

"can get no satisfection?" )

Ficou surda,
um pouco puta...

(A TV não aprovaria essa atitude:
beija sapo, beija bafo, beija qualquer coisa, mas beija, beija, beija,
mesmo que no fundo não esteja inteira,
que não seja bem da sua maneira.)

Mas os versos vindo do alto dos prédios,
lhe restaram como remédio impresso.

E repetiu como mantra aflito e sincero:

(Nessa vida nada de bom vem com a pressa,
foda-se essa guerra!)

(...bem que ele podia voltar,
nem que fosse para emudecer ainda mais o momento
olhar a paisagem,
sentir o sensível,
ouvir o respiro,
tocando de leve a pele,
bem aos poucos,
com tal e qual naturalidade,
que esqueceria
certo e errados,
antes e depois.

E se viesse um beijo - se viesse...
nem haveria pensamento de beleza
só restaria o beijo,
inteiramente deles,
sem nem desejo de outros,
só o percurso leve do rio infinito daquele.)

17 de abr de 2008

(Disse Leminsky)

Dia sem senso
acendi o cigarro
no incenso

____________________________________


(Vivenciei e adaptei...)

Dia com centro
acendi a ponta
na chama do incenso
Ao entrar,

respire







Ao sair,

revise

1 de abr de 2008

O desejo



Primeira estrela,
faça o que desejo,
meu São Longuinho,
me devolva o que perdi.
Que seja amável e amante
e recupere, antes do fim, meu complemento.



Não sei muito ainda,
sigo trilhas,vigas,dicas,viagens,vontades.
É um rio rosa de água morna e morena.
É o impulso,
cheio de receios justos de medos,
de ver tocar um serpente verde e longa a minha porta.

É a luta na hora propícia da luta.
É a paz de se saber não devedor.
É essa energia rugosa de uma chapada bruta,
um quase labirinto de mistérios
repleto de gatos,
normalidades elevadas,
mentes anuviadas,vozes calibradas
e outras 'ganícias' enroscadas.

Vem, minha cara fé,
ficar como voz primeira nesse meu mundo escuro,
meio vulto, meio escuso.

Me livre desse refúgio covarde onde me protejo,
quando insana, daquilo que mais quero.
Preciso da sua força redentora.

Pois quero muito um curso liberto
que nos puxa pela mão
e faz o corpo ceder e subir ao céucomo fumaça.

(Chapada Diamantina)

19 de mar de 2008

Escuridão fértil

Minha felicidade
me
assusta

em surtos

e a
guar
do

como em t r e p i d a n t e s fotos

Não há nela enredo, continum, novelo

É frag mento

poes ia concreta,

ex certos


Mas chega o dia que sentada na pedra cinza chumbo do rio
com a mão molhada em prata de uma lua alta
recolho minhas imagens de seus vôos soltos

Monto em mim sozinha
meu Quebra-cabeça
e ao fim
vejo que mesmo assim não há ainda história única,
não há sequer um conto só.

Há apenas a imagen de um céu da noite pipocado de estrelas que ligo como a brincadeira pede e apenas se a brincadeira é esta. E no fundo a escuridão -meu próprio não- de onde todas as fotografias são e v ã o

21 de fev de 2008

De paulo Leminski...
deus
algum
indu
ogum
vishnu
precisa da tua prece
tua pressa pessoa
só teu pulso acelera
você padece
padecer te resta
tudo um belo dia desaparece
Vi um fundo de tela cinza escuro,
e rabiscado em preto um V de gaivotas.

Ouvi lá longe o vapor trazer a água,
pro olhar aqui de dentro se lavar.
E ver...
...o Ipê, que em pé se abriu.

É fevereiro, mês luz de brasa,
que chega feito raio palhaço,
e deixa risadas como rastro.

21 de jan de 2008

Não sei o que digo
nem a quem falo.
Desconfio,
somente,
que são palavras de lágrimas.

Agradeço,
no entanto.

Ao céu,
à terra,
aos anjos que me suportam
às mãos que me acalentam
aos ouvidos
que me entendem,
ou tendem.
A mãe
que me abraça, me trata, me indica...
A morte que me tentou,
sinal vermelho que me apontou.

Graças,
graças,
graças!

A vida, que tem me dado tanto.

Quero apenas seu canto,
peço saber cantá-lo.
Pros meus amores,
só pra quem eu falo
só pra quem me importares...

E o mundo me importa,
me encanta
e eu canto...

Ao dia,
à luz,
obrigada!
Sem vocês eu não seria nada.

Salve, salve
ao tempo
por me ensinar que é como o vento.

Passa, leva e trás...

Hoje é tudo,
ontem dói,
amanha,
sou só.

Aflinge ver essa beleza e nela ver-me não caber.
Por isso,
vamos aos poucos.
O peito não dá conta da torrente de amor eterno.

Por isso invento a morte,
pra enfrentar esse infinito.

Obrigado, pai,
por desconhecê-lo
e fazer da minha vida
sua busca,
nosso encontro.

Eu amo, ou
tendo...

Graças, graças, graças!

A vós,

aos meus a avós;
a todos os meus;
amigos, primos, queridos;
aos nossos nós
e um tanto mais a essa voz.
Que se afina, que se canta.
Me encanta a poesia divina dessa vida bendita.

E peço apenas:

- Me ensina...
Me desculpem
estranhos,
Mas beleza é fundamental.

Não importa a grana
Criatividade me encanta.
E se tiver que me pedir um cheiro,
peça no canto.

No quarto dele, dependurados
ventos se viam ouviam ao longo.
Na gaveta um lenço,
na boca um verso,
o coração espeta
e na sua mão eu me perdia.

Eu não era.
Sentia o ar
denso.
Ardência.

Acende um incenso.
Acende outra vela
Apaga essa luz
E me conta disperso
uma história de amor.

Outro dia fui no alto.
Vi um negro dando a volta na encosta.
O sol na pele, um cão sem cela.
Vi um olhar no fim do meio.

Te abracei e te ouvi.
Ouvi no peito.
Sentei na pedra
Fui pra longe
E fiquei sem espera.

Não sei o que sei.
Sabe o que falou?
Nada, nada sei.
Já pensou em falar
a língua do louco?
Ou o verbo infame das prostitutas
do antro de paz e de sonho?

Sorri, e vem aqui.
O que é o que é:
vida?
Qual é a pergunta que nunca se fez?

Tropecei.
Foi algo que falei?

Olhei e era 11 e trinta e três.
E com a resposta você já sumia.

Eu te entendo, amado da vez.
Você disse que numa hora saia,
Se despedia da ilha
E numa nave partia.

.........

E lá fora,
amiguinho,
como anda você lá fora de você?
Queria saber, mas não pago pra ver o que não gosto.
Prefiro o que já foi.

O fim do filme subiu...
A luz havia sido forte,
O grito ainda estancado
E eu por dentro arfava.

E esse,
É esse,
É isso!

Um clarão aberto
Uma lacuna velha.

Mas bela, bela,
Terei tudo quanto quero.

E você carne invisível ainda?
Alma perdida e minha,
Você que é igual a mina
que todo dia se saculeja em mim.
Você já vem, não vem?
Vem já,
Vem cá
Cá já...

Porque aqui o não, não há.
Porque meu céu é um furacão.

Só não demora,
Não me consolo,
Sem seu colo.
Com a TPM por dentro

Hoje eu sou quem eu fui um dia, uma menina de pé descalço, com vontade de entrar na água, de descer e subir em árvore, de pegar peixinho, brincar pertinho. Sou a mesma que ficou pra trás, sou aquela que eu nunca deixei jamais. Finalmente sei que o que tenho é tudo que preciso, que amo quem me faz cem. As palavras bonitas me caem bem, dar presentes também. Gosto de dançar, quase não paro de falar, minhas amigas são do peito, minha família muito respeito. Ouço as histórias das avós, sei que não sei de nada. Um dia eu volto pra escola, mas agora, eu quero a lição da vida. Ouço muito minha mãe, brinco tanto com meu pai... Gosto de Tom, gosto de mim, gosto de um baú cheio de mistérios. Quero aprender tarô, e espero muito um senhor de alma inteira, mão faceira e um sorriso largo só pra mim. Hoje quase chorei na esquina, me sinto meio menina e um pouco nada arrependida. Ah, gosto muito de escrever, palavras me caem bem. Quero muito ser doutora, quero muito cantar pro meu amor. Gosto de praia, gosto do sol, me atiro no mar, me envolvo demais, com o drama, com a cama, com pesadelos Se o imaginário vai bem não há o que temer. Não quero ser louca, mas não me privaria da insanidade. Quero ser rica, mas por bondade, não desejo nenhum consolo, não quero ter medo de partir.
Era uma rosa
que espalhava ingênua
seu pólem e seu cheiro
pelos campos queimados do vale.
Quando o vento soprava dançava sozinha
pra uma platéia cinza que batia palmas
sem vontade.

E quando a chuva caia,
a gota, que silente restava
na pele arroseada da moça,
era lágrima
que dela não brotava
mas que toda solidão sinalizava.