25 de jul de 2014


Amava ele dos pés a cabeça.
De alma inteira.
Em cada grama do seu corpo,
em cada montanha do seu rosto.
Em cada nascente,
em cada poente.
Em toda vazante.
Nas suas esquinas,
em cada caverna.

Amava os razantes de pele nos seios.
Nas armadilhas,
no fim da linha.
e nos becos sem saída.

Amava no ciúme,
no cimento,
ou junto à semente de vento.

Amava mesmo sem volta.
Amava de longe.
amava do alto da pedra, antes do salto,
vendo a pele nadando,
a pele amornando...

E ele tocando
corda,
perna,
calo do pé,
coração de fé.

E tudo isso,
sem que a visse,
sem que ouvisse
seu canto despido,
coberto de medo,
receosa de continuar a estrada.

Por isso amava só em instantes
estanques
e só com
anuviados
olhos cruzantes.
Que ficavam assim
querendo só um pouco
o suficiente,
pra Deus querer o outro mais pela frente.

19 de jul de 2014

Por uma estética dos prazeres compartilhados

Sei dançar,
E quero um homem manso que saiba certo me olhar.
Num jeito que só olhos pingados da tranqüilidade de Deus podem fitar.

Você é puro.
Meu desejo, um broto.

Na testa, a febre.
No olhar, a prece.

A mão luva de lua larva.
A boca já não fala...

A música é nossa porta.
O céu, a nossa escola.