Pelas Suas mãos
Me achei!
Exatamente onde estava.
Parada.
Atenciosamente atenta
à luz verde
que escorregava pela coluna
e me conduzia até a lua.
22 de mar. de 2009
15 de mar. de 2009
"O artista não tem nenhum direito a uma idéia com a qual não esteja socialmente comprometido, ou cuja realização possa implicar uma dicotomia entre sua atividade profissional e os outros aspectos da sua vida".
"O trabalho de um artista só se justifica quando é crucial para a sua vida: quando não é uma ocupação passageira, mas sim a única forma de existência para seu 'eu' reprodutor"
Tarkovski (Esculpir o Tempo)
"O trabalho de um artista só se justifica quando é crucial para a sua vida: quando não é uma ocupação passageira, mas sim a única forma de existência para seu 'eu' reprodutor"
Tarkovski (Esculpir o Tempo)
13 de mar. de 2009
17 de dez. de 2008
Ouvi a árvore me chamar.
Fui até lá.
Correndo contra buzinas e rodas engessadas.
Estou à margem.
Passos largos,
a árvore é chama.
Ondas radiofônicas
É leão do norte.
É passagem estética.
E nisso, chuva fina dá graça ao lá fora.
Li João Paulo.
É preciso santos que bebam coca-cola.
(Os ideais dificultam o dia).
Desce a negra do morro,
trás notícias sem dados lá do alto.
Registros da rua, catados no ar.
A polícia aterroriza.
E tem jaca no meio da estrada
- quem se importa
A jaca pedindo final digno
- quem a vê?
Comida gratuita...
(A história esqueceu essa possibilidade).
A moça pára o carro,
desce sorrindo,
leva a jaca pra casa.
Estou de fora
Garimpo miragens...
A cidade me serve.
Fui até lá.
Correndo contra buzinas e rodas engessadas.
Estou à margem.
Passos largos,
a árvore é chama.
Ondas radiofônicas
É leão do norte.
É passagem estética.
E nisso, chuva fina dá graça ao lá fora.
Li João Paulo.
É preciso santos que bebam coca-cola.
(Os ideais dificultam o dia).
Desce a negra do morro,
trás notícias sem dados lá do alto.
Registros da rua, catados no ar.
A polícia aterroriza.
E tem jaca no meio da estrada
- quem se importa
A jaca pedindo final digno
- quem a vê?
Comida gratuita...
(A história esqueceu essa possibilidade).
A moça pára o carro,
desce sorrindo,
leva a jaca pra casa.
Estou de fora
Garimpo miragens...
A cidade me serve.
15 de dez. de 2008
Papo modesto
Não estou para desabafos impensados,
floreados de interjeições teatrais.
Nem vim aqui contemporizar opinião,
deixando no meu pensamento
reticências às preferências alheias
Desejo o verso simples, assertivo.
Eloquência de um ponto final.
Verdade que descansa quem o disse,
e só assim o abre a ser ouvinte.
Não estou para desabafos impensados,
floreados de interjeições teatrais.
Nem vim aqui contemporizar opinião,
deixando no meu pensamento
reticências às preferências alheias
Desejo o verso simples, assertivo.
Eloquência de um ponto final.
Verdade que descansa quem o disse,
e só assim o abre a ser ouvinte.
19 de nov. de 2008
Grande parte do caminho segue entoando mantras. Lhe alivia estar em movimento e nenhum músculo mexer. A meditação se faz mais fácil. A cidade vai passando, algumas incógnitas se desatando... Se sente na multidão, sem dela se embasbacar, nem ansiar para o seu porquê explicar. Apenas está lá.
E eis que de surpresa pega o caminho do mar e já não precisa rezar...
A onda bate.
Do verde escuro e da espuma branca - uma entidade verde,
Virgem lapidada.
Costas de onda curvas se entregando ao mar - jóias humildes.
Carícia no olhar.
Ao fundo, vindo do céu, um detalhe, em frações, se entrega às águas.
Poesia da caça...
Brilhantes se destacam na pele crua da onda que se alonga para em instantes quebrar.
Por favor, caminho, não quero parar...
Da janela vem um vento cheirando a ressaca.
Ele já não precisa rezar.
Mergulhou no silêncio entoado do mar,
ritimado pelas rodas do pneu a girar.
E eis que de surpresa pega o caminho do mar e já não precisa rezar...
A onda bate.
Do verde escuro e da espuma branca - uma entidade verde,
Virgem lapidada.
Costas de onda curvas se entregando ao mar - jóias humildes.
Carícia no olhar.
Ao fundo, vindo do céu, um detalhe, em frações, se entrega às águas.
Poesia da caça...
Brilhantes se destacam na pele crua da onda que se alonga para em instantes quebrar.
Por favor, caminho, não quero parar...
Da janela vem um vento cheirando a ressaca.
Ele já não precisa rezar.
Mergulhou no silêncio entoado do mar,
ritimado pelas rodas do pneu a girar.
7 de nov. de 2008
6 de nov. de 2008
30 de set. de 2008
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond
27 de set. de 2008
Professor: O que não vale a pena?
Ernesto: Ir à escola. (pausa). Não serve para nada. (pausa). Na escola, as crianças são abandonadas. A mãe põe os filhos na escola para que eles aprendam que estão abandonados. Assim ela se livra deles para o resto da vida. Silêncio. (...)
Professor: Então como é que se aprende?
Ernesto: Quando se quer aprender.
Professor: E quando não se quer aprender?
Ernesto: Quando não se quer aprender, não vale a pena aprender. Silêncio.
(Chuva de Verão - Marguerite Duras)
Ernesto: Ir à escola. (pausa). Não serve para nada. (pausa). Na escola, as crianças são abandonadas. A mãe põe os filhos na escola para que eles aprendam que estão abandonados. Assim ela se livra deles para o resto da vida. Silêncio. (...)
Professor: Então como é que se aprende?
Ernesto: Quando se quer aprender.
Professor: E quando não se quer aprender?
Ernesto: Quando não se quer aprender, não vale a pena aprender. Silêncio.
(Chuva de Verão - Marguerite Duras)
10 de set. de 2008
Por uma estética dos prazeres compartilhados
Sei dançar,
E quero um homem manso que saiba certo me olhar.
Num jeito que só olhos pingados da tranqüilidade de Deus podem fitar.
Você é puro.
Meu desejo, um broto.
Na testa, a febre.
No olhar, a prece.
A mão luva de lua larva.
A boca já não fala...
A música é nossa porta.
O céu, a nossa escola.
Sei dançar,
E quero um homem manso que saiba certo me olhar.
Num jeito que só olhos pingados da tranqüilidade de Deus podem fitar.
Você é puro.
Meu desejo, um broto.
Na testa, a febre.
No olhar, a prece.
A mão luva de lua larva.
A boca já não fala...
A música é nossa porta.
O céu, a nossa escola.
1 de set. de 2008
14 de ago. de 2008
Outro poema antigo, esse feito para aula do João Moreira Salles em 2004. É sobre um filme/ Globo Repórter chamado Retrato de Classe. Era vésperas de me formar e eu estava cheia de perguntas na cabeça e muita vontade explodindo no peito...
Um Retrato Retocado
Falaram-me que o tempo passa
- invisível.
Vi que as pessoas se matam
- e continuam vivas.
Ouvi que os casamentos afogam
- e matam de sede.
E que os pais amarram os filhos
para que não voem.
Chorei por que tive medo
Por que tive certeza
Que é isso que querem que eu faça.
Sorri por que me lembrei que não!
Não é isso que eu quero que eu faça.
Não quero boiar
como a sementinha jogada no rio.
Nem me acabar na terra rachada e seca.
Quero brotar.
Disso um Retrato de Classe me fez lembrar...
Mas o meu retrato ainda quer ser diferente deste.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo quer ser livre,
Não contrato.
Na forma quer ser poesia,
ponto de vista,
papel assinado embaixo.
Não discurso escondido,
sem nome,
absoluto - como um documento.
Mas minha vida de classe também quer ser igual ao Retrato.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo também quer ser humano, demasiadamente humano.
Na forma, revolucionário, rompante
- como uma arte.
Um Retrato Retocado
Falaram-me que o tempo passa
- invisível.
Vi que as pessoas se matam
- e continuam vivas.
Ouvi que os casamentos afogam
- e matam de sede.
E que os pais amarram os filhos
para que não voem.
Chorei por que tive medo
Por que tive certeza
Que é isso que querem que eu faça.
Sorri por que me lembrei que não!
Não é isso que eu quero que eu faça.
Não quero boiar
como a sementinha jogada no rio.
Nem me acabar na terra rachada e seca.
Quero brotar.
Disso um Retrato de Classe me fez lembrar...
Mas o meu retrato ainda quer ser diferente deste.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo quer ser livre,
Não contrato.
Na forma quer ser poesia,
ponto de vista,
papel assinado embaixo.
Não discurso escondido,
sem nome,
absoluto - como um documento.
Mas minha vida de classe também quer ser igual ao Retrato.
(No conteúdo e tanto na forma)
No conteúdo também quer ser humano, demasiadamente humano.
Na forma, revolucionário, rompante
- como uma arte.
12 de ago. de 2008
Regras da vida
Burocrática vida,
estaticamente tediante,
caverna numérica
labirinto sem saída.
Ligações virtualmente reais
não dão sinais,
não enviam postais
de vida,
de instâncias pessoais.
Os vasos estão entupidos.
As veias fracas de sangue!
Vidas floridas,
por favor, floresçam!
Já basta
de vidas secas,
enfurnadas mentes,
minhocas caminhando na pele,
falta de ar.
Falta que me faz traçar caminhos nas estrelas.
Jogar fora esses ponteiros, e
saber a hora pelo sol.
Quero deitar a cabeça
no ombro, na pele, barriga.
Quero tirar a bunda da cadeira
e as regras do papel!
E enfiá-las como anel de matrimônio
No dedo da consciência,
na legislação do querer.
Por uma vida em família
dias bem-vindos vividos,
amor de graça doado e
canção por todos tocada.
Rio de Janeiro, Janeiro de 2001
Burocrática vida,
estaticamente tediante,
caverna numérica
labirinto sem saída.
Ligações virtualmente reais
não dão sinais,
não enviam postais
de vida,
de instâncias pessoais.
Os vasos estão entupidos.
As veias fracas de sangue!
Vidas floridas,
por favor, floresçam!
Já basta
de vidas secas,
enfurnadas mentes,
minhocas caminhando na pele,
falta de ar.
Falta que me faz traçar caminhos nas estrelas.
Jogar fora esses ponteiros, e
saber a hora pelo sol.
Quero deitar a cabeça
no ombro, na pele, barriga.
Quero tirar a bunda da cadeira
e as regras do papel!
E enfiá-las como anel de matrimônio
No dedo da consciência,
na legislação do querer.
Por uma vida em família
dias bem-vindos vividos,
amor de graça doado e
canção por todos tocada.
Rio de Janeiro, Janeiro de 2001
11 de ago. de 2008
Poema de um livrinho antigo meu: poema de 2001. Lá se vão os anos, aqui se volta a rota, eterno e maravilhoso retorno, sempre igual, sempre outro.
Não sei
Hoje não sei
reconhecer vontade
evitar desvontade.
Hoje pego o que me dão,
ouço qualquer canção.
Tudo vem sem desconcerto,
sem acerto.
E você com esses olhos de inverno
gelados atrás do vidro externo,
me deixa sem saber se
abro ou travo
essa janela que bate
me oferecendo aconchego
me suplicando um abraço.
Não sei
Hoje não sei
reconhecer vontade
evitar desvontade.
Hoje pego o que me dão,
ouço qualquer canção.
Tudo vem sem desconcerto,
sem acerto.
E você com esses olhos de inverno
gelados atrás do vidro externo,
me deixa sem saber se
abro ou travo
essa janela que bate
me oferecendo aconchego
me suplicando um abraço.
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